segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma ligação para Helena

Essa é a minha favorita das que eu ja escrevi para http://olivrodofimdomundo.com.br/.

Era 16:15 quando soube da notícia do fim do mundo e eu só conseguia pensar em uma coisa,na verdade em alguém, Helena. Moro na Paraíba e ela em São Paulo, nos conhecemos pela internet mas a distância não impediu que eu me apaixonasse perdiamente por ela. Helena tem um sorriso assim meio que distraído mas capaz de tirar o fôlego de qualquer um. É uma imagem que não sai da minha cabeça: ela com a pele branca e os cabelos negros e ondulados caindo-lhe nos ombros. Passei noites em claro conversando online com ela, não acredito que vou morrer sem nunca ter visto Helena, sem nunca ter a tocado, uma vez juntos eu acordaria todos os dias mais feliz em saber que ela estaria ao meu lado. O mundo não poderia acabar sem que ela soubesse o que eu sentia então peguei o celular e deslizei as mãos trêmulas pelo touch screen procurando o número dela na memória,tinha gravado há um tempo atrás mas nunca liguei pois não tinha coragem, até aquele dia. Não era a mesma operadora que a minha o que tornava a ligação ainda mais cara mas naquele momento eu não me importava com isso.
Chamou uma vez...duas...ela atendeu:
- Alô?
- Helena! aqui é o Eduardo.
- Edu? que surpresa você me ligar.
Ela provavelmente não sabia ainda, continuei:
- Olha Helê, vai parecer loucura mas tem uma coisa que você precisa saber...
- Vai levar muito tempo? -ela me interrompeu- é que eu tô meio ocupada aqui além do mais você vai gastar uma grana com essa ligação.
- Não importa!! -gritei, e logo em seguida controlei meu tom de voz para não assustá-la- não importa quanto custa a ligação e seja o que for que você estiver fazendo não vai mais adiantar, a única coisa que importa é o que eu vou falar agora, tá?
- Esse papo tá muito doido mas parece importante,pode falar, tô ouvindo.
- Helê, eu te amo, não ri, eu te amo de verdade, queria estar aí com você, te abraçar e sentir seu cheiro, você é a garota mais incrível que eu já conheci.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha, ela estava provavelmente tentando processar a informação então falou:
- Edu, eu não sei nem o que te dizer, só que eu tô apaixonada por você, eu tambem te amo.
- É um momento estranho para dizer isto mas eu gostaria de ter te conhecido melhor...
- Mas a gente vai poder se conhecer melhor, né?
- Não, tem mais uma coisa...o mundo...
- O que tem o mundo?
- O mundo vai acabar!
- O mundo vai o quê?
- Acabar! alô? Helena,Helena pode me ouvir? alô?
Ela não podia mais me ouvir. Não sabia quanto tempo ainda restava até dar 17:15, perdi completamente a noção do tempo mas foi assim que passei meus últimos minutos: sentado pensando em Helena e encarando um pedaço de papel amassado que tinha na mão,estava planejando dar a ela quando nos víssemos pela primeira vez, porém apenas meu corpo estava lá, minha mente viajou para um lugar onde Helena e eu poderíamos passear de mãos dadas e sermos felizes para sempre mas infelizmente aquele era o maldito dia 21/12/2012.
... O que diziam as letras quase apagadas do papel:

"A longa distância apenas serve para unir o nosso amor.
A saudade serve para me dar a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos...
E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante...
Tudo isso acontece porque amo e penso em você..."
(William Shakespeare)

A saideira

Olá pessoal, vou postar aqui no blog os contos que eu escrevi para o site do Livro do Fim do Mundo (http://olivrodofimdomundo.com.br/) espero que gostem:

- Alô, Rafa... cara, eu tive um sonho muito louco!
- Tá mas pera aí, porque você estava dormindo às quatro da tarde?
- São quatro e quinze!
- Ah Lucas! uns minutos a mais ou a menos, quê importa?
- Olha cara, eu sonhei que o mundo ia acabar em uma hora e foi tão real, tô com uma sensação estranha...
- Eu sei do que você precisa, vamos aproveitar que hoje é sexta e bora sair pra beber nessa porra! tô passando ai no seu apê.
- beleza, até mais!

quando o Rafa chegou na minha casa eram quatro e meia, eu entrei no carro dele e decidimos ir àquele barzinho na Barra. Eu fui calado a maior parte do caminho, fui observando a paisagem e a vida parecia normal e tranquila, bem...tranquila pros padrões de uma cidade como Salvador, foi quando paramos no sinal e de repente um homem bateu no meu lado do vidro (que por sorte não quebrou)com uma barra de ferro. Era um sujeito mal vestido e que com certeza cheirava mal também e fixou o olhar em mim como se quisesse dizer algo mas meu momento de perplexidade passou quando o Rafa gritou "assalto!" e deu uma ré brusca no carro de pelo menos uns 5 metros, sorte que não haviam outros veículos atrás, depois aceleramos em direção ao homem que ficou parado olhando enquanto avançávamos o sinal.
- Tá tudo bem aí Lucas?
- Tá.
- Que loucura!
Loucura mesmo, "o que será que ele queria comigo?", fui pensando enquanto Rafa falava algo sobre o quão violenta a cidade está, logo me convenci que estava exagerando,talvez meu amigo tenha razão e eu só precise de uma cervejinha pra esfriar a cabeça.

Chegamos no bar e pedimos a bebida:
- garçom, traz uma aqui pro meu amigo que tá pensando que o mundo vai acabar! Então, me conta mais sobre seu sonho.
- não lembro!
Mas eu lembrava e foi desesperador.
- Ânimo Lucas! carnaval vem aí! - Ele sempre começava a se animar pelo menos 2 meses antes mas agora algo me dizia "não dessa vez".
- Ah! não gosto muito de carnaval. - Respondi vagamente.
- Nem eu, mas a gente só vai pra pegar mulher!!
- Rafa, o mundo está prestes a acabar...eu sinto.
- Tá bom, digamos que o mundo vai mesmo acabar mas e aí?
- E aí o que?
- Qual é seu grande plano, ô gênio??
- Nenhum.
- Ajudaria se a gente sei lá, procurasse um abrigo subterrâneo?
- Nem um pouco.
Ambos fomos surpreendidos pela certeza com que essas palavras saíram da minha boca e tive a leve sensação que meu amigo acreditou por um instante.

- Cara! o mundo vai acabar!
- Pera aí Lucas! o que você tá fazendo?
- Eu tô chorando não tá vendo?
- Para com isso, vão pensar que você é gay!
- Tá bem.
- Está bêbado! uma cervejinha só e você já tá bêbado, parece um moleque! esquece essa história de fim do mundo! garçom, desce outra geladinha!
Após um breve silêncio ele falou:
- Então, que horas você disse que o mundo vai acabar mesmo?
- Cinco e quinze.
- Bem, agora são cinco horas...sabe o que quer dizer? que ainda dá tempo de uma saideira!
- Claro.
Eu refleti sobre esse episódio, tinha um nó na garganta, e se outras pessoas tivessem sido avisadas? e se fosse pra eu fazer alguma coisa? eu poderia salvar o mundo? talvez aquele homem no sinal tinha as respostas para mim... talvez fosse um aviso pra que eu fizesse algo a respeito mas eu estou aqui enchendo a cara num bar. Foi aí que Rafa interrompeu meu pensamento erguendo o copo:
- Um brinde!
- À quê?
- Ao fim do mundo... e à nossa vida, não foi perfeita mas nos divertimos!
- Claro amigo!
Após o brinde eu virei meu copo de cerveja como se fosse o último...e de fato era.
(Larissa Rocha)

domingo, 29 de janeiro de 2012

Arte de amar

Na década de 1920 tivemos no Brasil uma revolução na arte com a Semana de arte moderna, esse foi o contexto para a literatura do modernismo caracterizada pelo rompimento com a arte academica, simbolismo e parnasianismo. Manuel Bandeira foi um dos representantes desse movimento literário.

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Senhora da Saudade

Senhora da saudade

Como eu vos quero bem, senhora da saudade!
lírio preto que sois pois viveis de preto,
parodiando um martírio estranho e predileto
de um torvo coração, vivendo na orfandade.

E assim não me quereis, senhora da saudade!
vós, toda compaixão, vós toda meu afeto,
nascida para estar num mundo mais secreto,
a partilhar Amor, Carinhos e Bondade.

e bem triste que sou e bem tristonho vivo,
cativo dessa Dama e dessa Flor cativo
eu tão velhinho já na minha mocidade!...

e ah! sonho de meu amor, estranhamente santo,
ouvi o que vos digo, estático de espanto:
- como eu Vos quero bem, senhora da saudade!...
(Euricles de Matos)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A poesia baiana do século XX

Primeiro eu gostaria de agradecer as visitas que o blog está tendo,estamos bem no comecinho mas ainda quero fazer dele uma referência em literatura na internet (sonhos altos rsrs). Segundo, esse post é pra falar do livro que eu ganhei, é uma antologia organizada por Assis Brasil: "A poesia baiana do século XX" (o título é auto explicativo). Como baiana eu fiquei muito feliz em conhecer mais um pedacinho da nosso literatura então eu fui selecionando alguns que eu mais gostei (só esclarecendo meus poemas favoritos são os sonetos com tema de amor, etc) para mostrar pra vocês. Esse primeiro foi interessante porque uma coisa que eu gosto de fazer com os livros de poesia é abrir numa pagina aleatória então foi o que eu fiz, o poema escolhido é o que eu vou postar a seguir, o mais interessante é como quase sempre eu escolho aleatoriamente combinam com meu estado de espírito no momento.
Encantamento
São saudades de um Bem que nunca tive
as que sofro, disseram-me. Em verdade,
um Bem me sorriu na primeira idade,
gozando-O em sonhos muita vez estive...
foi-se-me a conquistá-Lo, a mocidade,
minha vida senti como em declive...
e onde esse Bem que sei para mim vive,
por Quem sou cavaleiro da saudade?....
vê-Lo não me bastava. e não me basta
guardá-Lo hoje somente na lembrança
-segredo em forma de anjo- pura e casta!
Encantamento! os olhos no céu ponho
e, alma aberta, tê-Lo-ei, doce esperança,
baixando à terra -o Bem que foi meu sonho!
(Euricles de Matos)
Simplesmente amei esse poema!!!
O autor tem influencias simbolistas como Cruz e Sousa, ele fala desse "Bem" que foi o sonho dele e a letra maiúscula nos leva a crer que ele fala de uma pessoa.
P.S. o poema acima é um soneto, mas tive um problema na formatação do texto.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Escreve-me.

Parte de mim esta feliz com sua partida, com o fim da história que só existia em nossa mente. Outra parte, (a maior ,receio) ainda espera que você me escreva dizendo: "Descobri que não vivo sem você". Não porque eu te amo mas pela necessidade que tenho de saber que não fui a única a guardar lembranças. Por favor, perdoe o motivo egoísta, não quer dizer que nunca te amei, se é que amei...não sei na verdade mas se tivesse certeza não seria especial. Queria uma palavra sua só pra saber o que esconde aí no seu íntimo e o que pensa da mensagem que eu te escrevi e que até hoje você não respondeu...por medo...ou desprezo.

O fim



Meu amado tem o sorriso casto

e a face de neve que só toquei em sonho

Ele é o anjo que veio e esvaiu-se

deixando-me aqui com o olhar tristonho.


Ah! e tantas vezes pensei em roubar-lhe um beijo

mas não ousei sequer tomar-lhe pela mão

pude apenas ao vê-lo tremer enamorada

e admirá-lo suspirando de paixão.


Anjo de Amor, foste meu desejo mais divino

todo esse amor cândido e puro que te votei

chegou ao fim...minha insana ilusão!

agora sofro porque tanto te amei.


(Larissa Rocha)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O homem é diferente do poeta.

Na literatura, temos vários exemplos de como a obra do escritor não condiz com seu estilo de vida. Temos Machado de Assis,a obra machadiana é cercada por casamentos mau sucedidos e cheios de hipocrisia mas na vida real,segundo relatos,Machado de Assis foi muito feliz em seu casamento. Mas na verdade o que me fez escrever esse post foi o exemplo dado pela minha professora de literatura sobre Olavo Bilac. Numa época dentro do realismo,onde o assunto para as produções literárias eram as questões sociais,houve um grupo de poetas (os parnasianos) que não estavam nem aí pra escrever sobre isso,um deles era Olavo Bilac. Mas minha professora falou que apesar dele não escrever sobre causas sociais estava diretamente ligado a elas. Então ela disse a frase que é o titulo da postagem "o homem é diferente do poeta". Então eu resolvi discutir sobre isso porque tudo que eu escrevo é sempre diretamente ligado à minha vida,as coisas que sinto,que penso. Gosto de dizer por isso,que minhas poesias são trechos do meu coração. Então se um dia te perguntarem se o homem é diferente do poeta, lembre-se que varia muito.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)