terça-feira, 31 de julho de 2012

Sentimental (Carlos Drummond de Andrade)



Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!

- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!

Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Versos do dia








Grande Fernado Pessoa, disse tudo : "Tudo vale a pena se a alma não é pequena"
Tenham uma boa noite!

sábado, 28 de julho de 2012

Tudo o que faço ou medito (Fernado Pessoa)


Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Inconfesso desejo (Carlos Drummond de Andrade)


Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

Versos do dia




Boa noite!



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia do escritor



Porque escrever é confortante, porque escrever é como magica
deixar transparecer emoção mais profunda,
porque escrever é poder contar com um papel em branco
como se fosse um amigo, porque escrevendo é quando eu não me sinto
sozinha...
E já não tenho nenhuma amarra, e me debruço sobre o caderno
poisando sobre ele olhos, e peito, e alma. E quando muita vez
uma lágrima molha o papel sei que alquilo que escrevi
é também parte de mim...
Escrever me eleva e me sinto como que tocando o céu,
Escrever... Te tornas maior que todos os homens.

- Larissa Rocha







terça-feira, 24 de julho de 2012

Entre os teus lábios (Eugénio de Andrade)

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Desejo-te quando longe (David Lobo Cordeiro)


Quero-te tanto não te tendo
Tendo-te tão pouco te quero
Não te tendo não me entendo
Ao ter-te não me tolero

Ao ter-te apenas pouco, te amo
Meros minutos . . . eternidades . . .
Logo cessam as vaidades
Quando partes, logo te chamo

Imploro aos ventos que apareças
E a prece ao ser ouvida
Sopra teu corpo, alegre promessa
Que terei depois da tua partida...



terça-feira, 17 de julho de 2012

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior (Florbela espanca)


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

She walks in beauty (Byron)

Geralmente eu posto aqui no blog poemas em língua portuguesa, porém gosto muito de Lord Byron e este é um daqueles dias em que estou com vontade de ler um autor específico, então resolvi postar este poema chamado Ela caminha na beleza, onde ele basicamente descreve a mulher amada de forma romântica e idealizadora.


She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellow'd to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One shade more, one ray less,
Had half impair'd the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear their dwelling place.

And on that cheek, and o'er that brow
So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent!

domingo, 15 de julho de 2012

No mistério do sem-fim (Cecília Meireles)


No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

sábado, 14 de julho de 2012

Todos os poemas são de amor (Mário Quintana)


Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade…
se falar numa esquina mal e mal iluminada…
numa antiga sacada… num jogo de dominó…
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade…
se falar na mão decepada no meio de uma escada
de caracol…
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá… Que importa?
Todos os poemas são de amor!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Especial dia do Rock

Hoje é o dia mundial do rock e como grande fã desse gênero eu não poderia deixar de prestar uma pequena homenagem afinal rock é poesia!



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Versos do dia



‎''Se for verdadeiro vai acontecer, independente de tempo e distância" - Cazuza
Tenham uma boa noite!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Soneto do amor total (Vinicius de Moraes)


Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Soneto do anjo de maio (Ruy Espinheira Filho)


Então, em maio, um Anjo incendiou-me.
Em seu olhar azul havia um dia
claro como os da infância. E a alegria
entrou em mim e em sua luz tomou-me

o coração. Depois, suave, guiou-me
para mim mesmo, para o que morria,
em meu peito, de olvido. E a noite, fria,
fez-se cálida — e a mágoa desertou-me.

Já não eram as cinzas sobre o Nada,
mas rios, e ventos, e árvores, e flamas,
e montes, e horizontes sem ter fim!

Era a vida de volta, resgatada,
e nova, e para sempre, pelas chamas
desse Anjo de maio que arde em mim!

 

domingo, 8 de julho de 2012

Versos do dia

Foi só por ti (Larissa Rocha)


Foi só por ti que derramei
Lágrima quente em noite fria
Mágoa em forma de versos, sofri tanto
Por um amor que só eu sentia.

 Jogaste o tempo todo com meu coração
Tal e qual a tua vontade
E é porque o amor não prende
Que te deixo ir e abraço a saudade

 Mas saiba... Foi por ti apenas
Que amorosa lira eu escrevia,
Tudo por tuas carícias pequenas.

 Então vai... Não há mais volta
Não te prenderei  como queria
Em vez disso meu amor te solta!

sábado, 7 de julho de 2012

Os versos que te fiz (Florbela Espanca)


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Versos do dia

A dor que a minha alma sente (Camões)


A dor que a minha alma sente...
Não a saiba toda a gente...
Que estranho caso de amor...
Que desejado tormento...

Que venha a ser avarento,
Das dores da minha dor!

Por me não tratar pior,
Se sabe ou se sente, não a digo a toda a gente!

Minha dor e a causa dela.
A ninguém ouso falar.

Que seria aventurar,
A perder-me ou perde-la,
Pois só em padece-la a minha alma está contente.

Viva no peito escondida... Dentro da alma sepultada...
Ou me mate... Ou me dê vida...
Ou viva eu triste ou contente,
Não quero que saiba a gente!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Morte, juízo, inferno e paraíso (Bocage)



Em que estado, meu bem, por ti me vejo,
Em que estado infeliz, penoso e duro!
Delido o coração de um fogo impuro,
Meus pesados grilhões adoro e beijo.

Quando te logro mais, mais te desejo;
Quando te encontro mais, mais te procuro;
Quando mo juras mais, menos seguro
Julgo esse doce amor, que adorna o pejo.

Assim passo, assim vivo, assim meus fados
Me desarreigam d'alma a paz e o riso,
Sendo só meu sustento os meus cuidados;

E, de todo apagada a luz do siso,
Esquecem-me (ai de mim!) por teus agrados
Morte, Juízo, Inferno e Paraíso.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O legítimo pedido (Raquel Mesquita)



Faço-te um pedido,
Faz-me o favor de o cumprires!
Peço-te…
Quando te lembrares de mim,
Esquece-me por mais uns anos!
A nossa beleza está em não nos falarmos…
E dar-mos ao silêncio o triunfo da sua sabedoria.
Ver,
Não dizer uma palavra,
Reter as lembranças…
E deixar a imaginação cuidar do futuro.
É só o que te peço!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Minha amante (Álvares de azevedo)

Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!

Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!

E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!

Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!

Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!

Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!

És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!

E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!

Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!

domingo, 1 de julho de 2012

Versos do dia

Há palabras que nos beijam (Alexandre O'neil)



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)