quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Poema sobre a recusa (Maria Teresa Horta)

 
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

To Caroline (George Gordon Byron)


You say you love, and yet your eye

No symptom of that love conveys,
You say you love, yet know not why,
Your cheek no sign of love betrays.
 
Ah! did that breast with ardour glow,
With me alone it joy could know,
Or feel with me the listless woe,
Which racks my heart when far from thee.

Whene'er we meet my blushes rise,
And mantle through my purpled cheek,
But yet no blush to mine replies,
Nor e'en your eyes your love bespeak.
 
Your voice alone declares your flame,
And though so sweet it breathes my name,
Our passions still are not the same;
Alas! you cannot love like me.
 
For e'en your lip seems steep'd in snow,
And though so oft it meets my kiss,
It burns with no responsive glow,
Nor melts like mine in dewy bliss.
 
Ah! what are words to love like mine,
Though uttered by a voice like thine,
I still in murmurs must repine,
And think that love can ne'er be true,
 
Which meets me with no joyous sign,
Without a sigh which bids adieu;
How different is my love from thine,
How keen my grief when leaving you.

 
Your image fills my anxious breast,
Till day declines adown the West,
And when at night, I sink to rest,
In dreams your fancied form I view.
 
'Tis then your breast, no longer cold,
With equal ardour seems to burn,
While close your arms around me fold,
Your lips my kiss with warmth return.
 
Ah! would these joyous moments last;
Vain HOPE! the gay delusion's past,
That voice!--ah! no, 'tis but the blast,
Which echoes through the neighbouring grove.
 
But when awake, your lips I seek,
And clasp enraptur'd all your charms,
So chill's the pressure of your cheek,
I fold a statue in my arms.
 
If thus, when to my heart embrac'd,
No pleasure in your eyes is trac'd,
You may be prudent, fair, and chaste,
But ah! my girl, you do not love.

domingo, 18 de novembro de 2012

Quase um poema de amor (Miguel Torga)

 
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Foi para ti que criei as rosas (Eugénio de Andrade)



Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mors - Amor (Antero de Quental)

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)