quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Teu nome (Larissa Rocha)

Teu nome é para mim como uma prece
Chamo-o com uma adoração louca
Quando digo, sinto o que me parece
Uma carícia ao sair da minha boca
 
Posto que tu és como Deus
Teu nome não se fala em vão
Apenas sussurrado entre os lábios teus,
Um segredo guardado em meu coração.

 
À noite um suspiro tremulou no peito meu
Quando o disse em meu sonho – isto só eu sei.
Não me olhes assim... que culpa tenho eu?
Culpado é quem te deu esse nome de rei!
 
 
Teu nome que já foi meu mantra sagrado,
Mantive-o em segredo por amor
É o sinônimo de um sonho despedaçado...
Hoje só de ouvi-lo sinto uma pontada de dor!

Mais poemas meus em : http://www.astormentas.com/PT/par/poemas/Larissa%20Rocha

domingo, 27 de janeiro de 2013

Esta manhã encontrei o teu nome (Maria do Rosário Pedreira)


Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Versos do dia








Poema: Stanzas to Jessy

Autor: Lordy Byron
 
"Há duas almas, cujo igual fluxo
em fluxo suave tão calmamente correm
que quando elas se separam- elas se separam?- ah não!
elas não pode se separar- essas amlmas são uma"
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Original é o poeta (Ary dos Santos)

 
Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Lacrimosa (Larissa Rocha)


Se for pra ser assim, que seja o melhor pra ti,
 
Deve ser... Tu escolheste desse jeito
Quanto a mim? Morro em silêncio
Minha boca sufoca os gritos do meu peito.
 
Luto contra meu instinto natural
Não quero voltar a ver-te (a quem tento enganar?)
Mas se te vejo aqui na minha frente,
Exaure-se em mim toda a vontade de lutar!
 
As vozes da ópera cantam sobre algo trágico...
 
E nossa tragédia está aqui, querido:
Embebedar-se em doce ilusão,
Morrer de amor sem dele ter vivido!

 
Por quanto tempo viveremos assim?
Sempre que me aproximo, acabo ferida.
Mas aceitaria novamente outra chance
Nem que esta custasse minha própria vida!      

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Fanatismo (Florbela Espanca)

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Versos do dia



Quanto mais claro
Vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
Menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar... (Fernando Pessoa)



P.S. : Como estou tendo problemas com o carregador de imagens do bolgger, nesse post os versos do dia estarão separados da imagem.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Pássaro (Larissa Rocha)

 
costumava ouvir cantar um pássaro
de melodia que embora dolorosa,
pousava triunfante em meu papel.
mas lhe arrancaram uma fibra nervosa
agora já de voz rouca
não mais em minha boca
vem derramar seu mel.

voz cansada, canção fraca...adoeceu talvez
vi-o padecer dia após dia
até que de minha folha voou
hoje raramente me lembro de sua melodia.
o que aconteceu, amigo?
o que houve contigo?
acaso a fonte onde bebias secou?
 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Seus Olhos (Almeida Garrett)

 
 
Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou –
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sobre o regaço (Gustavo Adolfo Bécquer)

 
Sobre o regaço tinha
o livro bem aberto;
tocavam em meu rosto
seus caracóis negros.
Não víamos as letras
nem um nem outro, creio;
mas guardávamos ambos
fundo silêncio.
Por quanto tempo? Nem então
pude sabê-lo.
Sei só que não se ouvia mais que o alento,
que apressado escapava
dos lábios secos.
Só sei que nos voltámos
os dois ao mesmo tempo,
os olhos encontraram-se
e ressoou um beijo.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)