sexta-feira, 31 de maio de 2013

Maio (Larissa Rocha)


Maio já se vai quase todo
Nada é como era no início do mês
Sinto o peito carregado
Por várias emoções de uma só vez

Muita coisa mudou, acho que até eu mudei.
Apesar de temer o futuro
Ainda sonho e sinto como sempre,
A esperança é meu lugar seguro

De repente uma tristeza sem explicação...
É forte o sabor da despedida
Seja lá isso bom ou ruim
Maio foi o mês que mudou minha vida!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O corpo não espera (Jorge de Sena)


O corpo não espera. Não. Por nós 
ou pelo amor. Este pousar de mãos, 
tão reticente e que interroga a sós 
a tépida secura acetinada, 
a que palpita por adivinhada 
em solitários movimentos vãos; 
este pousar em que não estamos nós, 
mas uma sêde, uma memória, tudo 
o que sabemos de tocar desnudo 
o corpo que não espera; este pousar 
que não conhece, nada vê, nem nada 
ousa temer no seu temor agudo... 

Tem tanta pressa o corpo! E já passou, 
quando um de nós ou quando o amor chegou.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

De que me rio eu? Eu rio horas e horas (António Patrício)



De que me rio eu?... Eu rio horas e horas 
só para me esquecer, para me não sentir. 
Eu rio a olhar o mar, as noites e as auroras; 
passo a vida febril inquietantemente a rir. 

Eu rio porque tenho medo, um terror vago 
de me sentir a sós e de me interrogar; 
rio pra não ouvir a voz do mar pressago 
nem a das coisas mudas a chorar. 

Rio pra não ouvir a voz que grita dentro de mim 
o mistério de tudo o que me cerca 
e a dor de não saber porque vivo assim.

Quem vê teu riso, não imagina a dor que se esconde atrás dele! Rir para não chorar... Quem nunca?! Todos usam máscaras para esconder os verdadeiros sentimentos mas é bom as vezes chorar pois só assim descobrimos que, como diria Sérgio Jockyman, " O riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano".

sexta-feira, 10 de maio de 2013

sábado, 4 de maio de 2013

Vai-te, Poesia! (José Gomes Ferreira)



Vai-te, Poesia! 

Deixa-me ver a vida 
exacta e intolerável 
neste planeta feito de carne humana a chorar 
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos 
com bandeiras de lume nos olhos, 
para fabricar sonhos 
carregados de dinamite de lágrimas. 

Vai-te, Poesia! 

Não quero cantar. 
Quero gritar!

Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)