sábado, 28 de setembro de 2013

Meu coração (Larissa Rocha)



Meu coração é como um quarto abafado
Onde há muito tempo ninguém entra
O mesmo velho perfume impregnado
Onde a dor sempre se concentra

Mas de repente alguém abre uma janela
Deixa a brisa fresca renovar o ar
Deixa entrar a luz de uma manhã bela
Então pude novamente respirar

Alguém que trouxe de volta a esperança
Levou embora o a triste lembrança
Esse alguém talvez seja Ele...

Alguém que trouxe de volta a poesia
E me mostrou como aproveitar o dia
Esse alguém só pode ser Ele!

Flor Bela Rocha

mais poemas meus aqui

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Aos ombros dele (Larissa Rocha)


Nunca me canso de olhar admirada
As curvas tênues dos ombros dele,
O tom claro da sua pele,
Visão que me deixa hipnotizada 

É então que os desejos me consomem
Quando ele despe a camisa, e com o peito desnudo
Sou capaz de entregar-me em tudo
Aos músculos fortes dos ombros desse homem.

E o desejo tanto  que quase não resisto
À tentação de beijar essa fina película
Seguir com os lábios a linha da clavícula
Até o esterno, onde repousa uma medalha do cristo!



Vozes de um túmulo (Augusto dos anjos)



Morri! E a Terra - a mãe comum - o brilho 
Destes meus olhos apagou!... Assim 
Tântalo, aos reais convivas, num festim, 
Serviu as carnes do seu próprio filho! 

Por que para este cemitério vim?! 
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho 
Palmilhasse, do que este que palmilho 
E que me assombra, porque não tem fim! 

No ardor do sonho que o fronema exalta 
Construí de orgulho ênea pirâmide alta, 
Hoje, porém, que se desmoronou 

A pirâmide real do meu orgulho, 
Hoje que apenas sou matéria e entulho 
Tenho consciência de que nada sou! 

A efemeridade do ser humano por Augusto dos Anjos: 
Nos versos acima fica clara a visão do poeta sobre a sociedade e sobre si mesmo, o "poeta do horrível" nos brinda mais uma vez com sua linguagem ácida e cheia de escárnio. No soneto Vozes de um túmulo são expostas as fraquezas humanas "Construí de orgulho ênea pirâmide alta" em contraposição com o fatalismo da morte e a incapacidade de alcançar a parte mais profunda do ser "Tenho consciência de que nada sou!". Impregnado pelas ideias deterministas Augusto dos anjos concebe as mazelas humanas retratadas no poema à corrupção característica do espírito dos homens, portanto, criando para o leitor um cenário fúnebre e demasiadamente pessimista, o autor nos diz o quanto a carne é efêmera, certo de que na vida prevaleciam a matéria e a superficialidade, sentimentos puros só poderiam ser revelados a partir da morte.
- Larissa Rocha

Utilizado como referência o excelente texto de Aíla Sampaio: A poesia decadentista de Augusto dos Anjos (recomendo para quem quiser se aprofundar).

Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)