quarta-feira, 26 de março de 2014

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)


Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, essa ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Ariel e Caliban (Larissa Rocha)



Um deles é o sopro de ar freso em perturbada mente,
O outro transforma em cinzas meu coração ardente
Um é o meu porto seguro, tranquilo e bondoso,
O outro é a inconstância de um mar revoltoso.

Como na Tempestade de Shakespeare, eles são
Assim tão diferentes, mas dividem meu coração 
Meu espírito é consumido por uma dúvida vã
E meu coração dividido entre Ariel e Caliban! 

Tua voz (Larissa Rocha)



Tua voz envolve meu corpo com um abraço
E quase posso sentir tua respiração quente
Falando ao meu ouvido, tua boca bem rente, 
É impossível sair deste laço… 

Tua voz pronuncia o nome meu
Saboreando cada sílaba… bem devagar
É como se ela estivesse a proclamar
Algo que sempre foi teu…

Tua voz rompe o silêncio da minha mente
E logo me vejo enlouquecida,
Por tua voz confortada e aquecida,
Não me esqueço dela por mais que eu tente. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Quando eu te vejo (Larissa Rocha)




Quando eu te vejo, reparo logo em teus olhos…
Olhar escuro sensual, profundo como tua alma.
Em seguida, teus dentes perfeitos num lindo sorriso,
O som do teu riso me envolve e me acalma.

Quanto eu te vejo, passo bem perto de ti…
O suficiente para sentir teu cheiro, e inspiro
O frescor do teu perfume inebriante,
Poderia ter esse perfume todo o ar que respiro…

E o jeito que tu caminhas triunfante
Revela teu porte de semideus,
Reparo em teu jeito de andar elegante.

Te ver é como ter uma visão do paraíso
És o mais belo dos sonhos meus,
E quando eu te vejo, perco o que me resta de juízo.

Poema instantâneo (Larissa Rocha)


Um poema
Num instante
Que dura um olhar
Uma boca
Hesitante
Que anseia por beijar
Uma aflição
Constante
De amar ou não amar!
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)